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11/03/2008 - 00:31:46
Porsche completa 40 anos de representação no Brasil
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Fotos: Pedro Bicudo

Início de 1968. Chega ao Brasil o primeiro lote (cinco unidades) de veículos Porsche importados oficialmente para o País. Eram todos modelos 912E, uma versão criada especialmente para o mercado brasileiro. Passados 40 anos, a Stuttgart Sportcar, atual importador oficial da Porsche, vive o melhor momento da história da marca no Brasil, trabalhando com números anuais de venda cem vezes superiores aos do primeiro lote de Porsche trazidos por importação oficial.
“Em quarenta anos, muitas coisas mudam. Mais ainda no caso do mercado brasileiro, que passou por muitas mudanças de regras, de situação econômica e até de moeda corrente ao longo dessas quatro décadas”, analisa Marcel Visconde, presidente da Stuttgart Sportcar. “Outros países, principalmente da Europa e da América do Norte, tiveram seus altos e baixos, mas atravessaram estas quatro décadas com suas respectivas economias e regras de mercado bem mais estáveis.”
Para Visconde, o mercado brasileiro exige uma análise à parte, até pelos 15 anos em que a importação de veículos esteve proibida (entre novembro de 1975 e outubro de 1990). “No caso específico da Stuttgart Sportcar, a empresa tornou-se representante da Porsche em 1996, quando o Plano Real já estava em vigor e o período de inflação alta havia ficado para trás”, relembra. Nessa época, as cotações nominais do real e do dólar eram praticamente de 1 para 1. “Depois, tivemos que nos adaptar a dois períodos marcantes de alta do dólar, em 1999 e em 2002-2003. Somente de uns quatro anos para cá é que surgiu uma relativa estabilidade da moeda estrangeira”.
Visconde atribui o crescimento da Porsche no País a diversos fatores. O mais importante foi o lançamento do SUV Cayenne, lançado mundialmente no final de 2002 e que chegou ao mercado nacional em março de 2003. “Com o Cayenne, a marca passou a atuar em uma faixa de mercado para a qual nunca havia tido produto. Muitos compradores de Cayenne vieram de outras marcas e se transformaram também em proprietários dos carros esporte”, conta. “Hoje, a Porsche oferece uma linha completa e muito atraente”, completa Visconde, referindo-se aos modelos Boxster (conversível de dois lugares), Cayman (cupê de dois lugares), 911 (modelo “2+2”, oferecido como cupê ou como conversível) e Cayenne (SUV).
Nesses 40 anos, a Porsche nunca deixou de ter representação oficial no Brasil. A Dacon, primeira importadora da marca alemã, trouxe cerca de 300 carros entre 1968 e 1975. Mesmo com as importações proibidas, continuou representando-a e estava a postos quando o mercado foi reaberto: nos dois meses finais de 1990, ela vendeu um carro, modelo 944. Em 1993, foi fundada a Stuttgart Sportcar, com concessionárias autorizadas Porsche no Rio de Janeiro e em Curitiba. Em 1996, a Dacon encerrou suas atividades e a Stuttgart Sportcar assumiu a representação oficial da Porsche no Brasil.
Porsche 912E

O Porsche 912E, primeiro modelo da marca a ser importado por meio de representação oficial, foi criado especificamente para o mercado brasileiro. Na época, só era permitida a importação de veículos que custassem no máximo US$ 3.500 no país de origem. O Porsche mais barato, o 912, custava na Alemanha cerca de US$ 4.000.
A solução foi criar uma versão com preço ainda mais baixo, denominada 912E (de “Export”, exportação), para atender ao limite imposto pela legislação brasileira. O 912 era um carro com carroceria do 911, acabamento mais simples e motor de 1,6 litro herdado do lendário 356, descontinuado em 1965 (o 911 tinha motor de 2 litros). Para baixar seu preço e criar o 912E, a Porsche eliminou equipamentos considerados supérfluos para o Brasil, como o sistema de aquecimento interno. No começo da década de 1970, a legislação foi alterada e toda a linha Porsche passou a ser vendida no País até a proibição total, em novembro de 1975.
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